João Alves-Carita

2010 / 2 Setembro

“Uma vida toda entregue ao serviço da Igreja”


D. Tomaz da Silva Nunes
(1942-2010)
Partiu…
Ainda há uma semana almocei com ele! Ainda há uma semana comentávamos que tinha de trocar de óculos porque aqueles estavam velhos e eram ‘à Salazar’. Ainda anteontem trabalhava, como todos os dias, até às 18h! Ainda nesta semana comentava que ninguém na sua família tinha ainda passado dos 68 (o irmão morrera há seis meses com essa idade… ontem foi ele com 67)! Ainda anteontem tinha voltado de ‘férias’… era a sua primeira noite no seu quarto na Casa Patriarcal depois das férias… a primeira… e a última!
Partiu…
Morreu D. Tomáz da Silva Nunes, aos 67 anos de idade. Era bispo auxiliar de Lisboa e foi a primeira pessoa com quem me encontrei no elevador nos primeiros dias de trabalho no Patriarcado. Perguntou-me o nome, o que estava ali a fazer e quis saber mais sobre mim. Mostrou interesse! Tirou aquela ideia pré-concebida de que um bispo é alguém distante, superior… D. Tomaz não era assim! Simplicidade… uma palavra que cada vez me diz mais era também aquela que melhor o definia!
Partiu…
E hoje teve cerca de mil pessoas a despedirem-se dele. Entre leigos, sacerdotes e consagrados, todos quiseram despedir-se de D. Tomaz. Ao entrar o caixão no carro funerário todos lhe quiseram tocar. Uns faziam festas, outros batiam com força, como que a desejar boa sorte nessa caminhada celeste! Outros diziam: se você começar eu continuo! O quê? Um coro de palmas… uma aclamação que D. Tomaz nunca procurou em vida! Sempre longe dos holofotes ou das luzes da ribalta… Simplicidade!
Partiu…
E está num sítio muito melhor agora… “Está junto de Deus, única recompensa de uma vida toda entregue ao serviço da Igreja”, escrevia D. José Policarpo no comunicado que espalhámos pela imprensa e pelo clero… No funeral, o Cardeal-Patriarca dizia que “a morte é, sob o ponto de vista humano, a mais radical experiência de solidão, mesmo que os outros estejam à nossa volta, e só Deus a pode vencer” e continuava: “O senhor D. Tomaz morreu sozinho e nós estávamos lá, perto dele. Mas ele não pôde sentir o calor da nossa amizade naquele momento difícil”.
Partiu…
E deixou um sorriso! Um sorriso que era o que ele tinha sempre para todos aqueles com quem se cruzava. Um sorriso espelhado em todos os rostos presentes! Um sorriso de esperança… na esperança de uma ‘primavera’ da Igreja e nessa vida eterna!
Onde quer que esteja D. Tomaz. O meu muito obrigado e que continue a olhar por nós como o ‘bom pastor’ olha pelas suas ovelhas!
  • “Onde quer que esteja D. Tomaz. O meu muito obrigado e que continue a olhar por nós como o ‘bom pastor’ olha pelas suas ovelhas!”

    Também eu recordo a Sua simplicidade que tocava os corações,
    recordo-o sobretudo nesse sorriso de esperança tão terno com que sempre nos abordava,
    recordá-lo-ei sempre.

    Muito bonito este testemunho da Sua vida.
    Obrigado João.

    Eu sou a Dulce.

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  • Quando ouvi o noticiário estava distraída mas olhei para a televisão…e não me parecia verdade quando vi a fotografia…reconheci o Bispo que me crismou e com o qual nunca chegámos a combinar o tal almoço…aquele para o qual foi ele que nos “convidou”. Tive pena de nunca termos chegado a fazê-lo.

    Mesmo não tendo estado junto dele mais do que algumas horas tive a mesma sensação de simplicidade de que falas, de proximidade…

    O teu texto é uma bonita homenagem…uma homenagem simples, sincera,que diz, com poucas palavras, muito.

    Susana (ou Darky)

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