João Alves-Carita

2013 / 19 Maio

T.A.I.Z.E.


A minha história com Taizé vem desde final do ano de 2004, comigo acabadinho de me crismar. O convite surgiu para ajudar na preparação do Encontro Europeu. Afinal de contas a paróquia ia receber gente de fora e um par de mãos a mais nunca era sempre bem vindo.
Lembro-me como se fosse hoje do ‘medidor’ de esferovite em forma de termómetro com o número de jovens que a paróquia iria acolher: 1m2 por cada pessoa era o mote. Em casa não acolhemos ninguém mas no andar de cima a vizinha acolhia duas raparigas de leste. Acabei por ser o interprete do prédio e também na paróquia.
No dia 31 de Dezembro lembro-me de ter ido com a multidão para a FIL no Parque das Nações logo de manhã, era o último dia de orações em conjunto no pavilhão. Na oração estava o irmão Roger, embora não tivesse dado atenção a esse facto. Para dizer a verdade, pouco me lembro dessa oração… lembro-me sim de andar com a minha máquina de filmar e com o Rogério de Rio-de-Mouro com um pacote de belgas na mão a entrevistar as raparigas. Lembro-me de andarmos todos a correr feitos doidos para aparecermos no máximo de fotografias possível, uma fotografia a duas pessoas depressa se tornava numa panorâmica de dezenas de pessoas. Lembro-me também da grande ‘qualidade’ da comida, dos enlatados e dos vídeos que se fizeram a deixar cair o grão da colher, como uma papa. Lembro-me de no caminho de volta não ter comprado bilhete de comboio e termos todos organizado um plano para me escapar ao revisor: era um jovem croata que não falava inglês nem português e que tinha deixado os documentos na casa onde estava acolhido. Lembro-me perfeitamente da noite de passagem de ano, feita a rezar na paróquia e a meia noite a rezar, cada um na sua língua, o Pai Nosso.
Em 2005, no verão tive o convite de ir conhecer Taizé pelos meus próprios olhos… os meus pais torceram o nariz à viagem de autocarro, mas seriam capazes de me deixar ir. À última da hora o grupo com que ia decidiu seguir viagem de carro, no Saxo do Johny. E eu acabei por ficar em terra.
Sonho adiado, mas a voltar a reavivar-se em 2008, com o desafio feito de se organizar um grupo da paróquia que fosse a Taizé. Éramos poucos, mas de algum modo resistentes. Tivemos reuniões de ‘preparação’ em casa da Ana Isabel. Vimos vídeos sobre Taizé. Estudámos o dia-a-dia base em Taizé. Fizemos tudo isto, mas acabámos na mesma por ir às cegas e sem saber o que nos esperava. A viagem, longa, fez-se ao som de músicas da D. Ester, a ‘caçula’ do grupo já nos oitentas, e de muita expectativa.
À chegada, a divisão de tarefas, os estudo da Bíblia e todas as outras informações. Demasiadas para assimilar naquele instante. Lá acabei por perceber o verdadeiro ‘encontro’ com Deus. Onde somos convidados a deixar aquilo que nos prende ao terreno e abraçarmos o divino. Eu, que não tinha activado roaming, tinha deixado o telemóvel em Portugal e usava as cabines telefónicas como única forma de contacto. Conheci gente dos mais variados cantos da Europa, que como eu queriam conhecer Deus de uma outra forma, de uma maneira jovem e comprometida, em comunidade.
Ao voltar de Taizé a ideia era: quando voltamos? A ideia acabou por ser sempre adiada por motivos económicos e de agenda… a faculdade já fazia parte da vida de todos nós… Até que em Fevereiro de 2010 o provérbio cumpriu-se: “Se Maomé não vem à montanha, vai a montanha a Maomé”. A comunidade de Taizé tinha sido convidada a fazer um encontro ibérico no Porto, no fim-de-semana dos namorados. Embora com namorada, passei o dia de S. Valentim com outra rapariga, a única do original grupo de 2008 a aceitar o meu desafio de voltar a ‘viver’ Taizé.
Fora neste encontro de curta duração que tinha tomado a decisão de levar o desafio mais a sério. Em Março desse ano preparava já uma estadia de um mês como voluntário em Taizé. Um mês como ‘permanente’. A decisão foi comunicada aos amigos e à família na noite antes da partida. Assim, sem despedidas, sem momentos embaraçosos… Numa partida que julgava eu fazer sozinho encontrei um casal que me ‘adoptou’ junto do seu grupo paroquial. Na primeira semana éramos um só. Depois foram mais três semanas de muito trabalho, de vida em comunidade e até mesmo de silêncio. A experiência de vida mais significativa que tive até hoje!
Neste tempo em Taizé, tinha decidido, por opção, não levar telemóvel nem nenhuma outra tecnologia (exepção feita à máquina fotográfica). Durante esse mês também não fiz a barba… a ideia era que preparasse o meu coração para receber Jesus, e que só depois então me poderia preocupar com o aspecto exterior. Pelo meio uma confissão em Italiano e muito choro à mistura.
No ano seguinte, também no verão, um outro desafio: o irmão português em Taizé queria que eu fosse guia de um grupo de pessoas do Ruanda que iriam visitar Taizé. Lá parti eu até Viseu, onde apanhei o autocarro para Madrid, de onde, encontraríamos o grupo que iria levar à colina. Estas pessoas depois de muito estranharem a presença dos guias lá nos acolheram e no final até já nos vestiam com as suas roupas. Daqui o desafio seria levá-los de novo até Madrid para as JMJ 2011.
A minha vida com Taizé voltaria a dar voltas e em Madrid ofereci-me para ajudar nas orações de Taizé. E em plena Via Sacra voltaria a encontrar o grupo de Ruandeses.
Em 2012 a vida voltou a girar e a vinda para a Suíça afastou-me da família e amigos, mas aproximou-me da colina. Na viagem para cá tomei o pequeno-almoço em Taizé e dei graças por esta mudança na vida. Entretanto já voltei para mais um fim-de-semana em Taizé onde até responsável pelo acolhimento em Francês fiquei…
E agora, em Setembro de 2013… também estará presente no meu casamento: na noiva, no tema e até nos convidados!
É por isso que posso dizer que Taizé faz parte de mim.

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