João Alves-Carita

2010 / 23 Maio

Rock in Rio – Lisboa 2010 – dia 2 (22 de Maio)


Dia 2 do Rock in Rio – Lisboa 2010. Para hoje esperavam-se no palco Mundo João Pedro Pais, a estreia em solo nacional de Leona Lewis, ‘sir’ Elton John, o regresso dos Trovante, no final 2 Many DJs e muitas menos pessoas do que ontem (‘apenas’ 41 mil).
Vou começar de novo com críticas… Apoio de facto o que de bom se faz em Portugal e acho bem que se dê espaço para os artistas nacionais nestes eventos… mas colocar João Pedro Pais a abrir o palco principal no segundo dia do festival não me parece de todo uma acção sensata… no final pareceu-me que JPP tocou para meia dúzia de fãs porque o resto estava ali para ver os próximos a actuar! Não vi o concerto, porque mais uma vez também não me cativou para ir para o sol vê-lo, mas comigo deviam estar a maioria desses milhares de pessoas, na luta pelos brindes e pelas sombras da ‘cidade do Rock’.
Próxima ‘personagem’ deste dia: Leona Lewis… Mais uma que ‘não me diz nada’… Não se assustem as leitoras… a música da rapariga é que não me diz nada! E como também não vi, passo a citar o que escreveram Luís Guerra e Mário Rui Vieira da Revista BLITZ e que faço minhas as palavras deles: «A cantora de “Bleeding Love” tem o que é preciso para ser uma estrela R&B: boa imagem, um conjunto de baladas aprumadas, uma voz serpenteante que chega a todo o lado. Por outro lado, parece ser a personificação de tudo o que correu mal ao género: a prevalência das acrobacias vocais em detrimento da consistência e da “soulness”. Música ideal para namorados que não desgrudam. A estreia em território nacional da ex-concorrente (e vencedora) do programa britânico de novos talentos The X Factor é daquelas que provavelmente ninguém recordará dentro de duas semanas». Passaram umas horas e eu do que vi no Youtube (esse álbum de recordações de quem não tem essas memórias) já nem me lembro de como foi a actuação dela quanto mais ‘aguentar’ duas semanas.
E o senhor que se segue é de facto um ‘cavaleiro’. No palco Mundo (e após ter trocado 3 vezes de horário de actuação), o cabeça-de-cartaz do 2º dia: ‘sir’ Elton John. As primeiras projecções nos ecrãs gigantes mostram Elton com um figurino (demasiado) sóbrio: casaco preto, camisa azul por baixo, óculos escuros. Mas assim que se levanta do banco que o senta ao piano, percebe-se que o cantor traz uma capa preta ‘à la Batman’ com brilhantes nas costas. Este sim é o Elton John. Longe do entusiasmo da noite anterior o cantor britânico consegue contagiar o público (diferente do de ontem… já não são os milhares de jovens aos pulos, são pais que estão a reviver a juventude e que por isso mesmo já ‘não têm idade para andar aos pulos feitos malucos’ como se ouvia dizer. Sentado na relva a apreciar a parte final do espectáculo (a maior parte do espectáculo ouvia enquanto passeava pelo recinto…) houve tempo para cantar um “Crocodile Rock”, para acender uma ‘vela ao vento’ (leia-se “Candle in the Wind”) e cantár a ‘tua música’ (é para ler “Your Song”), que elejo como os momentos altos da actuação:
Pela primeira vez na minha vida vi o cabeça-de-cartaz não fechar o dia… mariquices diriam uns (sem querer ferir susceptibilidades nem fazer o trocadilho fácil…), mas o que não faz um piano e um ‘cavaleiro gay de Sua Majestade’.
Não foi Elton John que fechou a noite, mas vinham ainda mais uns quantos senhores… os Trovante reuniram-se para celebrar os 25 anos do Rock in Rio e já tinham prometido: Que ninguém espere músicas novas… vamos tocar tudo velho! Ninguém se vai pôr a inventar nada… (foi mais ou menos isto!) E ainda bem que não inventaram! Na gíria do futebol diz-se que equipa que ganha não se mexe… e eu acho que estes senhores ainda têm uma fórmula de sucesso… e já que se juntaram agora eu propunha uma ‘digressãozita’ ou um novo disco… porque não?! Eu comprava! E então depois do concerto de ontem!
Tudo começou num trocadilho ao nome do festival… içaram-se as velas e fizeram-se ao mar… ou será ao ‘rio’ com as suas “Caravelas”? Novo saudosismo para com o mundo tunante…
Numa noite de reviver clássicos e vidas os Trovante mantiveram-se iguais a si mesmos e, quanto a mim, não desiludiram! Música popular portuguesa a ser cantada pelos milhares que se sentavam na encosta do parque da Bela Vista. Este não era de facto um concerto para estar de pé e aos pulos… havia quem o arriscasse mas o ideal era mesmo estar sentado a curtir boa música e bom som! Luís Represas pelo meio das músicas ainda lançava mensagens de esperança e de solidariedade! Para terminar, os momentos altos… “Feiticeira”, “125 Azul” (em vídeo e com Luís Represas já visivelmente cansado mas muito emocionado) e “Timor” fizeram os restantes espectadores renderem-se a esta banda magnífica… era o regressar dos anos 80!
Para terminar, uma inovação! Quanto a mim uma aposta ganha! Transformar o palco principal numa tenda electrónica gigante e a céu aberto! Era a vez dos 2 Many DJs… Não estiveram os 2 irmãos Dewaele (Stephen perdeu o voo para Portugal e o irmão David actuou com Stefaan Van Leuven, dos Soulwax), mas o espectáculo foi para acabar com o resto das energias dos poucos ‘valentes’ que ainda permaneciam na ‘cidade do Rock’.
Agora é tempo de descanso e mais só na próxima quinta-feira, dia 27! Os ‘meus’ Xutos & Pontapés e com especial expectativa para conhecer Muse!
  • Bem, confesso que visito regularmente o teu blog e que gostei muitos destes posts sobre o Rock in Rio. Como nunca vi grande parte das bandas que vão actuar, fico à espera de mais relatos com curiosidade;) Jks
    Daniela

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