João Alves-Carita

2012 / 6 Abril

Oué, d’accord, pas de souci


Ao fim de uma semana por terras helvéticas já me sinto uma vaca… e das roxas! De tanto comer e de tão integrado que já me sinto estar! Tranquilizo-vos já que ainda não vi as tão famosas vacas roxas e os suíços garantem ser um mito urbano… um dia destes vou até à montanha caçar gambuzinos e aposto que as apanho lá junto dos unicórnios!

Contrariamente ao que seria de esperar o mais difícil da adaptação não tem sido a língua, que martelada lá vai fazendo parte do meu dia-a-dia, chegando até a fazer parte das conversas cá em casa entre portugueses. O mais difícil, dizia eu, foi mesmo a condução. Acho que conduzir do lado errado da estrada como os ingleses seria até mais fácil do que isto! Vamos por partes então, alerto-vos já que os suíços vivem a estrada como o resto da vida: numa tranquilidade tremenda.
Os semáforos, por exemplo. A ordem é a mesma: verde – amarelo – vermelho. Mas enquanto que em Portugal ou noutro país qualquer do mundo o ‘amarelo’ não é sinal de abrandar como se aprende no código, mas sim de ‘acelera que ainda passas, mesmo que seja no verde tinto’, aqui o amarelo é para imobilizar totalmente o carro. Se não o fizer corro o risco de receber uma fotografia em casa com uma multa… Depois, para arrancar eles têm uma solução óptima que em Portugal faria maravilhas à malta que precisa de pedir autorização a um pé para mexer o outro: a sequência é vermelho – vermelho e amarelo – verde. Isto significa que no ‘vermelho e amarelo’ a malta já tirou o pé do travão e está a começar a marcha. Para além disto, todo o chão está marcado com sensores para que, os semáforos não perturbem a circulação do trânsito abrindo em alguns cruzamentos em que não está ninguém lá. Aqui só abrem se algum carro estiver a chegar e podem abrir imediatamente (sem termos de abrandar) caso não venha ninguém na faixa principal que nós iremos cruzar, por exemplo. Depois os autocarros têm um comando que faz com que fechem os semáforos abrindo os deles, desta forma eles garantem a pontualidade dos serviços de transporte públicos.
Mas não é só! Tome-se como exemplo também a velocidade. 50 km/h nas localidades e 120 nas auto-estradas (salvo raras excepções em que diminui). Só que em Portugal estas velocidades máximas são teóricas ou em caso de radar. Aqui são mesmo para cumprir, cumprindo também as distâncias de segurança do carro da frente. A mim chateia-me fazer viagens sempre em terceira, com estrada livre para poder arrancar e seguir viagem… mas se o fizer corro o risco de receber uma fotografia em casa com uma multa… estes suíços são muito bons a fazer circular dinheiro… Já para não falar nas passadeiras! Em que é obrigatório a paragem total do carro para deixar passar os pedestres. Se formos nós a circular a pé e levantarmos o braço em jeito de agradecimento ao amável condutor que nos deixou passar, este coloca logo um sorriso de orelha a orelha e segue viagem com uma boa acção no bolso!
Já que falei em auto-estradas, esta é a minha parte preferida! Aqui não há portagens! O que se faz é que todos os anos a malta compra um autocolante que coloca no vidro da frente. Custa 40 CHF (c. de 33€) e pode viajar as vezes que quiser… este valor em Portugal é uma viagem quê? Lisboa-Porto ida e volta? Quem não tiver o autocolante corre o risco de uma fotozita… (o resto já sabem).
Ainda em termos de carros, os suíços perceberam que a malta aqui é amante do automóvel… não são raros os casos de se ter mais do que um, sendo que há quem tenha uma autocaravana ou um carro só de fim-de-semana/férias… nestes casos é possível ter apenas um seguro automóvel, no valor do carro mais valioso. O único problema é que se cria uma matrícula única para os 3, 4 ou 5 carros, o que apenas permite a circulação de um carro de cada vez. Mas no caso dos suíços, ‘pas de souci’ (não há problema).
Agora não falo mais em circulação automóvel… falo de estacionamento automóvel! Aqui promove-se a circulação e a libertação dos centros urbanos dos automóveis. A excelente rede de transportes públicos suíça permite que a malta deixe o carro perto da estação e faça o resto do trajecto confortável nos transportes públicos (sim, conforto é palavra que existe por cá nos transportes). Sendo assim também há parques com parquímetros (bem pagos) mas com um tempo máximo que varia da localização do mesmo. Mesmo pagando não posso estar mais de X tempo no mesmo sítio! Depois temos os estacionamentos azuis, que são para o disco que todos os carros devem ter. Neles podemos parar sem pagar, mas também têm uma duração limitada. No disco deve-se marcar a hora de chegada ao local e devemos abandonar o mesmo antes de passado o limite horário, senão fotografia, multa e tudo o mais… E por fim, temos os estacionamentos amarelos, que são estacionamentos de aluguer. Isto é, da mesma forma que se aluga uma casa, aqui também se alugam lugares de estacionamento. Eu pago um X todos os meses, mas aquele lugar é meu e só meu… mais dinheiro a circular, a pagar impostos e resolve-se as eternidades à procura de um lugar para estacionar! Este seria um grande modelo para a rua da casa dos meus pais!
Para terminar a conversa de carros… aqui a rádio não é como em Portugal. Sou fã da Rouge FM (passe a publicidade), uma mistura de Comercial / Mega Hits e M80. Ouvimos de tudo um pouco para um público muito diversificado, muito bom para conduzir (excepto quando toca o Teló…………………….). Mas a rádio, dizia eu, no carro não aparece apenas o nome, aparece o nome da música e o intérprete que está a tocar no momento! É genial para sabermos o nome da tal música que estava a tocar! Para quando este sistema em Portugal?!
Outra das grandes diferenças entre o nosso ‘cantinho à beira-mar plantado’ é o custo de vida… Não é a relação despesas/ordenado (que vai variando de cantão para cantão… aqui em Vaud os descontos automáticos no salário bruto rondam os 30%, falta a mensalidade da casa, as despesas, o telemóvel, o seguro de saúde e caso haja carro: gasóleo e afins). Ainda assim, o ordenado médio por cá chega bem para viver (e não sobreviver como em Portugal). Mas as coisas são de facto bem mais caras se estivermos sempre a pensar nos nossos supermercados… alguns dos exemplos mais flagrantes são: as salsichas como nós as conhecemos chegam aos 7/8 CHF (c. 6€) cada lata de 8 unidades. Depois, por estarmos no centro da Europa temos dificuldades de acesso a matéria prima tão fulcral na minha ‘dieta’ como o peixe. O mais comum de encontrar é mesmo o salmão (em fatias ou lombo e não uma bela posta para grelhar e regar com limão, nham nham!). O bacalhau, que nós portugueses tanto amamos, pode custar até 22 CHF/quilo (c. 18€/quilo). E a carne? Que eu pensava que era muito barata porque via 0,79 CHF (c. 0,65€)? Afinal isso não era o preço ao quilo, mas a cada 100g. Por isso não é erro nenhum que dois peitinhos de frango atinjam os 7/8 CHF (c. 6€). O queijo e todas as outras coisas ‘pesáveis’ estão assim contabilizadas (não é preço ao quilo, é preço às 100g.).
Depois temos o resto das refeições… comer ‘fora’ é mesmo considerado um luxo que só os estrangeiros desconhecedores da realidade cometem! Uma refeição custa em média 5x mais do que se fosse confeccionada em casa. E nem o McDonalds escapa! No passado domingo jantámos dois menus de BigTasty (os pedidos são feitos com sotaque français… algo do género: ‘Sont deux menus de bigtásti’. E as bebidas são petit ou grand… é uma risota!) e a conta passou os 33 CHF (c. 28€). Aqui é fast, mas não é cheap food!
Et voilá, c’est tout! Acho que não me recordo de mais nada, à medida que me for lembrando eu escrevo! Em baixo ficam então os meus novos contactos:

Tlm: (+41) 78 971 19 88
Morada: LARANJEIRO CARITA, João Pedro
Route Praz-Bérard 9
1844 Villeneuve VD – SUISSE

(sim, eles aqui colocam os nomes de família em lugar de destaque… e de hoje em diante serei o João Laranjeiro………………. Até que tenha o meu visto de permanência e aí mude novamente para João Carita!)
Au revoir!

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