João Alves-Carita

2010 / 26 Outubro

O patinho Feio!


Hoje fiz a viagem Cacém – Laranjeiro como nunca antes a tinha feito… cabisbaixo e sem levantar a cabeça… sabia que os transportes que apanhasse seriam para fazer até ao fim da linha… mas não levantei a cabeça só porque sim… hoje fiz o que não estou habituado a fazer… andei encostado aos cantos… fiz de tudo para não ser reconhecido nem dar nas vistas… porquê? Porque chorava copiosamente… e de todo o meu tempo a andar em transportes públicos não me lembro de ver ninguém chorar assim… tinha vergonha que me vissem!
O motivo? Comecei hoje a ler o livro do meu amigo (como é possível não lhe chamar assim logo após as primeiras linhas, escritas ainda pela Maria João Costa, editora do livro) António Feio. Um livro que me toca a mim pela proximidade… fiquei preso a ele logo nas primeiras páginas… muito mais nos poemas que a filha Catarina lhe dedica…

Dei por mim a pensar… também eu sou um patinho feio… Nunca te dediquei um poema pai… est certo que também o meu jeito para a poesia é de todo nula, mas isso não pode servir de desculpa para não tentar…

Nunca te disse que te amo, embora saiba que o sintas… mas por vezes as palavras reconfortam-nos e dão outra dimensão ao sentimento do que apenas o ‘saber que sim’!

Nunca te agradeci tudo o que tens feito por mim e todo o esforço que fazes… nunca te disse disse um simples obrigado pelas vezes em que me emprestas o carro (que coisa tão fútil)… e tudo isto aliado ao facto de passar a vida sempre no meu mundinho me transtorna…Veio-me hoje a imagem da Corrida do Tejo de domingo… onde, como de costume impus o meu ritmo e lá ia eu sossegado… a dada altura vejo-te chegares ao meu lado… acompanhei-te durante 2 quilómetros… não fui capaz de mais…

Acho que essa imagem de não ser capaz de te acompanhar numa simples corrida me consome… não por estar gordo e não ter a capacidade física de antigamente, mas pela simples metáfora de não te conseguir acompanhar nesta ‘corrida’ contra o tempo que é a vida…

Que toda esta escrita não se fique só pelo mundo virtual… escrevo-te também neste livro… livro que te darei para a semana quando fizeres 52 anos! Escrevo-o para que o ‘achar que’ nunca substitua o dito… escrevo-o porque seria muito mais fácil imprimir… mas escrevo-o para que o meu ‘esforço’ permaneça nesse livro como tu permaneces na minha vida…
Quero que saibas que tens todo o meu apoio e a minha força e companhia nesta luta contra essa doença que ninguém sabe o que é… que pode ser isto, mas também pode ser aquilo…
 
Por tudo isto: Amo-te pai!
Quem me conhece sabe de ‘devoro’ livros… 
mas este leio-o com mais calma, mais devagar… 
porque não é um livro que estou a ler… 
estou a ler uma vida!
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  • Estou extasiada…
    Amei o que escreveste. Também eu fiquei de cabisbaixo porque não tenho este dom da escrita e com mais uma agravante, não tenho o dom de expressar sentimentos.
    Conheço os teus pais, aliás os teus pais é que me conhecem, e de certeza que têm um orgulho enorme no filho que têm.
    Bem hajas por estas palavras…

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