João Alves-Carita

2012 / 23 Maio

O mais difícil…


Isto de ser emigrante tem muito que se lhe diga… São quase dois meses longe de casa (ainda soa a férias prolongadas) e um misto de sentimentos habita em mim. 
O primeiro é de revolta. Revolta por ter de procurar condições num outro país porque o meu não sabe aproveitar os recursos que tem, revolta por ter de encontrar o meu caminho e lugar no mundo longe de todos aqueles que me são próximos… 
O segundo é de esperança… Esperança num futuro risonho, no facto de estar(mos) a construir algo que em Portugal seria constantemente adiado ou preso por arames. Esperança em que a integração numa nova cultura, nesta miscelânea de culturas e formas diferentes de pensar continue a correr como tem até aqui. Esperança que possa concretizar os meus sonhos e que surjam muitos mais!
O terceiro é de empreendedorismo, de ‘mãos à obra’. Roma não se construiu em dois dias, muito menos um começar do zero se faz em apenas dois meses. Este arregaçar de mangas implica o desprendimento de coisas que em Portugal não prescindia, implica sacrifício… um pouco de “sangue, suor e lágrimas” para abrir caminho e seguir sempre em frente!
E por fim, o sentimento tão nosso de saudade… já tentei explicar o que seria isto aos meus colegas de trabalho (também eles emigrantes). Não consigo… não se trata só de sentir falta, é muito mais vasto do que isso. Mas esta saudade em nada tem a ver com Portugal ou o que tenho/tinha no meu país de origem. Disso não tenho saudades nenhumas, nem muito menos sinto a falta delas. O mais difícil são as pessoas! É delas que sinto saudades. Embora tenha feito algumas amizades aqui (ou começado a construí-las) a verdade é que falta-lhes o ‘background’ de quem sou, o que fiz, o que senti… não quero apagar o meu passado e começar de um ‘verdadeiro’ zero. Àqueles a quem em Portugal quando precisava seria só enviar uma mensagem, um toque, uma chamada e sabia que tinha alguém com quem conversar, que me fizesse sair de casa… agora aqui não é possível. 
Sinto saudades de mandar umas belas c*ralh*das contigo Babau, de gozar com o teu nome; de ir pedir conselhos de todas as formas e feitios à ti mana Andreia. Dos cafés e sectores engorda com o resto da malta do SP. Das idas ao ‘McDo’ (como eles aqui lhe chamam) com a malta dos incredibles, Pedro António, ainda contas hein? E Ricardo incluído. Dos meus miúdos de catequese, a quem não consigo deixar de pensar que deixei ‘órfão’ de caminhada. Do padre Rocha e do diácono com quem fui criando uma bela amizade. Da malta da Espiral com quem os longos serões ‘editoriais’ a ver jogos de futebol e a fazer algum trabalho eram o meu escape. Do saltitão que me acompanhava a Alvalade! Do Vítor e do Cascão que nunca me cortaram as pernas e sempre me deixaram sonhar (conscientes do meu número). Do Janeiro e das palmadas que ele me dava. Do Sérgio António em quem era capaz de confiar a minha vida. Da minha madeirense e da Sofia, que mesmo achando que não gosto dela não consigo deixar de gostar, das nossas idas ao IKEA para comer almôndegas ou ao ISCSP para lanchar. Dos meus avós com quem podia sempre contar e só a voz ao telefone não me chega. Dos meus pais que nunca pensaram que isto de me ir embora fosse mesmo acontecer. Até do maricas do meu irmão (desculpa lá mas tinha mesmo de ser! Vê é se aprendes francês para te trazer aqui a veres as ‘vistas’).
São tantos os nomes que perderia toda a noite a tentar enumerar. Mas queria que soubessem que sinto a vossa falta! E que isso… isso é mesmo o mais difícil!
  • Realmente sinto falta de te chateares comigo e de me dares na cabeça. Não tanto o resto que o tenho com outros amigos, mas só tu eras capaz de ser bruto para me fazer ser feliz. Enfim, perdem-se umas coisas, ganham-se outras. Perdi a tua amizade mas ganhei o conforto de te ver feliz e a realizares os teus sonhos. É isso que mais importa. E nunca mais voltámos ao Mac depois que foste. Aliás, só voltámos uma vez. Que a malta anda tão cheia de coisas que nunca mais. Come um happy meal por nós!

    Sê feliz! Ah e apesar de tudo, quero fazer uma visita à Suiça um dia sim?!

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