João Alves-Carita

2009 / 13 Fevereiro

O futuro…


Não será bom, nem bonito!

Mais vale dizer as coisas tal como elas são…

Eu não sou vidente ou medium ou outra coisa “transcendente”… não tenho uma bola de cristal, mas tenho olhos na cara (juntamente com os óculos), que me permitem ver a realidade… e essa não mente…

Ora vejamos, temos uma sociedade (maioritariamente) envelhecida e submersa na tão proclamada crise económica… se eu bem me lembro, os velhos (e não, não lhes chamo idosos… prefiro velhos, mas a explicação ficará para outra altura) já estão reformados ou pelo menos não estão a trabalhar activamente contribuindo para a riqueza e desenvolvimento do país… portanto a grande maioria da população “vive dos rendimentos”, neste caso da reforma (até que esta não acabe)…

Temos uma baixa taxa de natalidade pois está na moda os filhos únicos, 2 é normal… 3 será um caso ou outro… mais do que isso é uma raridade…! Mas estes jovens/crianças na sua grande maioria estudam (só raras excepções trabalham) e portanto serão mais uns quantos que não produzem…

Sobra então a “mão-de-obra” que faz andar este país… Ah mas temos desemprego… pois é… e a níveis preocupantes, clama a oposição política… o mais engraçado é que eu cada vez que olho para os classificados dos jornais, que vou passear a um centro comercial (outra coisa para uma futura análise… passeios em centros comerciais porque se está farto de estar em casa… hum estranho…) eu vejo pedidos de empregados, de pessoas para trabalhar… há desemprego de facto… mas não há falta de trabalho… mas comodismo é muito melhor… não cansa, não dá trabalho e um emprego em que não se faz nenhum e recebe-se ao final do mês é o que todos procuram… se não há emprego, criem-no! Sejam empreendedores (já me estou a deixar influenciar pela nova moda), arranjem algo inovador que permita dar visibilidade a vossas excelências, ao país e criar mais postos de trabalho…

Pois… mas esta é uma nova moda… uma ideia nova… inovadora… revolucionária… mas a verdade é que a maioria dos portugueses não pensa assim… para quê mudar? Se até agora não me queixo? Quando me atingir a mim… ah aí sim… critico, queixo, faço manifestações… Porque afinal… as coisas só acontecem aos outros…

As pessoas parece que pararam no tempo… não evoluíram… defendem ideais, costumes e ideias que estão há muito ultrapassadas! Talvez no tempo do Estado Novo (que eu não vivi, mas também não ando a bradar aos céus o regresso de mais um Salazar) isso faria sentido… mas a verdade é que as coisas mudam, tudo tem o seu ciclo e há que acompanhar a mudança ou deixar-mo-nos perder nela…

Grande parte das pessoas que conheço parece que estão a criar uma barreira à inovação… que querem tudo como estava que assim é que estava bem… o medo da mudança leva-os a fazer isto… e olhem que sei porque moro com 2 “empatas” da mudança…

Sim… ideias retrógradas onde o dinheiro reina ou comanda as ideias… acho profundamente que mantinham o salário debaixo do colchão ou num buraco da parede se pudessem… mas o medo de o perder faz guardá-lo num sítio “mais seguro”…

Incoerência nas atitudes, nos gestos, nas acções… Hoje A, amanhã B… Contigo X, mas comigo Y… e outras coisas mais…

Dito isto apetece-me mandar à merda tudo isto e crescer, mudar, inovar! Acompanhar o ritmo… não me deixar ficar para trás…

Mas ontem conheci alguém que me marcou positivamente e me faz pensar que nem tudo é mau… Rui Coutinho, fotojornalista do grupo DN… é o mais velho jornalista da redacção e poderá ser o “primeiro a cair” numa reestruturação para entrarem 3 ou 4 estagiários recém-licenciados (ao preço da chuva, i.e. grátis!)… isto porque teoricamente ele não inovará, não trará nada de novo… é velho… mas quando chegar a mudança ele está preparado… para ser o jornalista multiplataformas que hoje em dia se apregoa que será preciso no futuro… A pessoas como ele… eu tiro o meu chapéu e desejava que houvessem muitas mais…

Por isso… futuro? é sombrio e não o vejo… a não ser que a mentalidade mude… parte de cada um de nós… vais começar já?

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