João Alves-Carita

2011 / 21 Julho

O estado das coisas – Parte II


43%. Foi esta a média dos exames nacionais do 9.º ano a matemática! O máximo era 100%.
51%. Foi esta a média dos exames nacionais do 9.º ano a português! O máximo era 100%.
9,6. Foi esta a média dos exames nacionais do 12.º ano a português! O máximo era 20.
É este o estado das coisas! Este é o reflexo de como são os jovens.
A culpa não é só dos jovens alunos… não foram eles que pediram “um computador para cada aluno”, não foram eles que pediram ‘magalhães’, não foram eles que criaram a wikipédia! Não foram eles que criaram a escrita SMS… não foram eles que colocaram a televisão e o telemóvel como amigo número um e deixaram os livros… Eles apenas jogam o jogo de acordo com as regras que lhes deram!
A culpa é também do facilitismo com que são presenteados! Os jovens de hoje não sabem pesquisar numa simples biblioteca! Não sabem procurar numa enciclopédia… o Google faz isso! Não sabem regras gramaticais… o word corrige automaticamente! Não precisam de saber falar português correctamente… não há espaço para escrever assim nas mensagens… Não precisam de saber a tabuada ou fazer divisões… os telemóveis têm calculadoras para quê?!
A grande diferença desta geração é a luta pelo desenrascanso! Se no meu tempo se lutava pela excelência, por ser o melhor possível, se lutava pela média, se lutava por ser mais e melhor! Hoje a maioria luta pelo 10… luta para se safar… Faz-se tudo pelo mínimo, não há uma tentativa de chegar mais além… os que tentam são facilmente apelidados de marrões, nerds, entre outros!
Os jovens não precisam do português… eles entendem-se com X’s e K’s…
Os jovens não precisam da matemática… para eles é fácil: eles querem ter tudo e sempre mais… mas dar o mínimo e cada vez menos!
Hoje em dia qualquer ‘borra-botas’ entra para a faculdade… já não é um prémio para a ‘excelência’… com a igualdade o ensino superior é a sequência natural dos estudos… Já é possível entrar numa faculdade com médias negativas… ser ‘doutor’ já é uma coisa banal… a troco de quê? De sermos todos iguais e doutores e depois ninguém quer fazer aquelas tarefas mais manuais e que todos os anos vemos acabar… essas é para quem não tem estudos!
A cultura geral hoje não existe… especifica-se o máximo possível e prefere-se que a pessoa X saiba fazer tudo sobre o tema Y, mas se vem uma questão Z já não sabe o que fazer… quando se quer saber alguma coisa: google it!
Quando se facilita tudo a toda a gente é claro que vivemos numa sociedade mimada, numa sociedade em que não lhes pode faltar nada… porque aí… são a geração ainda mais à rasca ou organizam manifestações contra o poder instaurado, quando eles nem sequer sabem o que fazem a seguir…
Vive-se o imediato, esquecendo-se o passado e ignorando-se o futuro! A vida são dois dias e nós já vamos nas 23h do segundo!

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