João Alves-Carita

2012 / 23 Janeiro

No escuro


No escuro nada vemos… no escuro não sabemos para onde ir… no escuro os outros sentidos fazem o trabalho dos olhos, cheiram para enquadrar a nossa localização, ouvem à procura de alguma ameaça e tacteiam o caminho para fora da escuridão.
O escuro não é bom, não é desejável. Mas é o que temos. Um escuro ‘como breu’, onde o caminho nem pode ser apalpado e os sentidos se baralham tanto que em nada ajudam.
Ao fim de um mês de estar em casa, por muitas luzes que acenda continuo no escuro. Mantenho a dificuldade em saber o caminho e em orientar-me. Procuro algo para fazer, uma nova oportunidade para me sentir útil… elas não faltam, é só escolher onde… mas em troca? Só despesas… Arrisco ainda assim… “ah, com a sua experiência não o podemos aceitar, seria injusto estar num estágio e aprender com alguém que sabe menos que você”…
Chego ao escuro do não sou bom suficiente para ter trabalho (a crise, sempre a crise), mas sou bom demais para encontrar alguma coisa… a idade ainda não é um problema… ainda… porque em breve será insuportável. Estou no escuro onde o incentivo à formação profissional esbarra com a falta de oportunidades para mostrar o valor… onde a maioria vive ‘à rasca’ mas quem declara 141 mil euros de rendimentos anuais diz não chega para sobreviver…
Onde a hipótese ‘estrangeiro’ ganha peso… mas todo o tempo à espera e inactivo minam a confiança de qualquer um… onde a cada dia que passa é menos um bocadinho de esperança e certeza de que vou encontrar o meu lugar no mundo, que vou poder ser feliz…
Malditos estes dias… que são todos iguais… todos no escuro.

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