João Alves-Carita

2009 / 26 Março

Já não há…


Algo que me preocupa…

Com a massificação da “cultura” e das artes ou por causa da facilidade em chegar a essa mesma “cultura” cada vez mais gente se tornou um agente cultural ou um verdadeiro “artista”!

À primeira vista é um aspecto positivo, mas pensando um pouco sobre ela vemos que não é mesmo um mar de rosas… porque qualquer “marmelo” pode editar um disco, escrever um livro, pintar um quadro, ser fotógrafo…

Isso é bom continuam uns quantos “puros” das artes a insistir… é mau digo eu! Deixam de haver nomes sonantes, nomes que marquem uma geração (ou várias), bandas que lembrem toda uma década…

Quantas músicas novas ouvimos nós nos primeiros 3 meses de 2008 que simplesmente morreram aí? Nunca mais lhe tocam… ou melhor, tocam-nas mas como “clássicos”… clássicos com 6 meses! A quantidade de artistas que lançam álbuns e que são os únicos da sua carreira (se é que se pode chamar carreira àquilo)?

Ou a quantidade de marmanjos que publica livros? Que são “best-sellers” lá por casa, a mãe, o pai, os avós, os tios e os primos todos têm um!!! Mas foi oferecido por ele no Natal! Ou os fotógrafos de trazer por casa… que compram uma máquina um bocadinho XPTO e dizem que são fotógrafos e que fazem trabalhos de Fotógrafos (atenta, caro leitor, na letra maíuscula) e baixam drásticamente o preço dos “books” ou outros trabalhos… Obrigando os Fotógrafos a sério a baixar também os seus preços se quiserem ser competitivos… é a lógica do mercado livre dizem uns… e eu digo que é mais um defeito da massificação da cultura…

Já não há mais nenhum Guerra e Paz de Leon Tolstói, ou Dom Quixote de La Mancha do Miguel de Cervantes, ou até mesmo um Principezinho de Saint-Exupéry (que curiosamente a juventude de hoje nunca leu ou ouviu falar)…

Já não há, por exemplo, uns Abba com quase 40 anos de existência (as músicas deles ainda hoje são “hits” mesmo já não estando juntos)…

Já não há um Manoel de Oliveira, um George Lucas, um Steven Spielberg…

Já não há um David LaChapelle…

Já não há um Mozart, um Beethoven, um Bach…

Já não há um Salvador Dali, um Miguel Ângelo, um Da Vinci…

Agora só há “Alentejanos”…
  • Olha sabes que mais, hoje em dia a malta jovem, ja nem “se lembra” daqueles que marcaram mais tanto no campo da musica, como no das letras, ou cinema. Hoje geralmente o que se ouve, são aquelas coisas temporárias: Aquelas que so se ouvem pouco tempo, e no meu entender, essas nao sao boas, porque se fossem continuariam a ouvir-se e nao é o que acontece.

    “os reis” (Queen; Abba; Manoel de Oliveira; Bach;Miguel Ângelo,etc) hoje em dia perduram (mas nao na vida dos mais jovens), talvez ainda esteje presente em pessoas mais velhas. Ou por exemplo o Fado(Amália Rodrigues) é a musica que nos identificou durante muito tempo – Hoje em dia sao raras as pessoas que ouvem e lhe dao a devida importancia. Eu sinceramente, nao é o meu tipo de musica favorita mas dou-lhe o valor que tem.

    Penso que já nao ah artistas como antes (nao que nao sejam bons – alguns). Agora lançam albuns que nao ultrapassam o numero 1 por cada artista.

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  • Hum…

    Já reparaste que, provavelmente, os teus pais diziam o mesmo quando tinham a tua idade?
    “Isto está a ficar cada vez pior…” ou então “O mundo está estragado!”

    No que a mim se refere, gosto desta miscelânea de músicas, livros, filmes, etc., que vão aparecendo. Cabe a cada um de nós ser selectivos.

    Os tempos mudam e os gostos também. É a ordem natural das coisas. Hoje em dia é tudo tão diferente do que era há 20 anos atrás… Não dá para comparar.
    As bandas, os livros, etc., que tu referiste, se surgissem hoje em dia, achas que tinham o mesmo tipo de efeito que tiveram na altura?

    Eu sinto cada vez mais que é difícil fazer coisas novas. Parece que está tudo esgotado.

    Eu concordo com as tuas ideias… Fazem sentido. Comercial é o conceito que está por trás de tudo isso.
    E de repente parece que tenho 50 anos e estou a criticar as músicas que os meus filhos ouvem e os livros que lêem.
    Estamos a ter a mesma atitude que os nossos pais tiveram connosco e que por acaso, mas só por acaso, nós odiámos. Nãoo! Eu prometi a mim mesma que nunca iria dizer isto aos meus filhos/netos, etc. 😛

    **

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