João Alves-Carita

2010 / 22 Abril

Isabel


Este meu post devia ter sido escrito ontem… mas com o ritmo alucinante com que andei não me foi possível… ainda assim cá vai…

Ontem estava com os nervos à flor da pele… ‘TPM’, disseste a brincar de manhã.Se é uma espécie de TPM para os homens não sei… mas ontem pensei em muita coisa enquanto escrevia um artigo para o jornal…

Ainda bem que já escrevo a computador, porque caso contrário as minhas lágrimas manchariam todo o trabalho…

Não sei porque chorei… ‘TPM’, dirias tu novamente seguido de um: ‘és um menino!’

Chorei porque estava com os nervos à flor da pele… uma sensibilidade extra… chorei porque estava com uma dor de cabeça enorme… os olhos estavam inchados e doíam-me cada vez que os esfregava com as mãos…

Mas chorei, sobretudo, por causa das circunstâncias… porque passei a manhã a reclamar destes males todos e enquanto fazia o meu artigo para a edição desta semana do jornal sobre a partilha do padre Daniel Batalha Henriques, de Algés, no blogue “Uma semana com… um padre” e detive-me na partilha de 4a feira

Escrevia o padre Daniel (não publico tudo para vos convidar a seguir os links e lerem a partilha na íntegra):

Ao fim de muitas tentativas fracassadas, consegui por fim arranjar um serão para ir jantar com a Isabel e o seu filho Gonçalo.
Foi há um ano e meio que a Isabel, uma paroquiana saudável, alegre e muito activa na sua vida familiar e profissional, se encontrou repentinamente às portas da morte vítima de uma septicemia. Começou então para ela, para a sua família e amigos uma angustiante “via dolorosa”: várias semanas em coma, onde a morte parecia o cenário mais provável; depois, saída de coma, a notícia que lhe teriam de amputar ambas as pernas; por fim, uma longa convalescença hospitalar, a cadeira de rodas, a adaptação às próteses e a uma nova vida cheia de obstáculos e limitações…

Hoje, a Isabel voltou ao seu trabalho, começou a dar catequese e é um membro ainda mais activo na sua Paróquia. A sua alegria e entusiasmo são contagiantes e, com limitações físicas tão evidentes, é sempre a primeira em tudo: na disponibilidade para o serviço, na entrega à oração, no sentido de missão.
Acompanhei-a durante todo este tempo: quando estava em coma, administrando-lhe o Sacramento dos Doentes e rezando com os seus dois jovens filhos junto à sua cabeceira, quando saiu de coma e recebeu a notícia de que teria de ser amputada, nos longos meses no hospital, no dia em que, em cadeira de rodas, pode voltar a celebrar a Eucaristia com a sua Comunidade, numa ida a Fátima… Nem uma só vez lhe ouvi dizer “Porquê, Senhor?” mas sempre “Que queres de mim, Senhor?”

Também nós quantas vezes por uma ‘merdinha’ de nada (desculpem o palavreado) criticamos tudo e todos, quantas vezes as nossas ‘merdinhas’ servem como desculpas e nos esquecemos que há coisas bastante piores!

Quantas vezes perante o mais pequeno dos obstáculos dizemos: “Porquê?” e perdemos muito mais tempo a perceber do que a tentar superar?

E com tudo isto… voltei a chorar…

Fica aqui a promessa! Eu quero conhecer a Isabel! E depois conto-vos como foi!

De hoje em diante, perante as adversidades da vida eu lembrar-me-ei da Isabel! Será o meu exemplo vivo!

Há que aprender a viver!
  • Há pessoas que são verdadeiros exemplos de vida, mas nós como “merdinhas” que somos, nem sempre nos lembramos disto, quando devemos!
    Devemos agarrar-nos aquilo que realmente importa! É isso que nos motiva! É Cristo que me motiva! Beijinho grande João 😀 (Isto é sério :P)

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  • São estes casos que nos fazem pôr em causa toda a nossa existência. Somos tão picuinhas, tão minúsculos perante situações deste género. Dá até vontade de bater em nós próprios ao lembrar o quão parvos somos por aumentarmos em demasia os nossos chamados “problemas” que não são mais que pequenas pedrinhas no caminho.

    Esta senhora é um verdadeiro exemplo de vida que vale e merece a pena ser conhecido. Há aí muito bom adolescente e jovem que devia ler isto. E adultos também. Mas principalmente jovens que acham que a vida são só facilidades.

    Conhece a Isabel e depois apresenta-ma por favor! Não são todas as pessoas que me põem a chorar assim do nada!

    Obrigada por esta partilha e desculpa o testamento!

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  • Bem, quando comecei a ler o teu post pensei, mas o que é que tenho a ver se tu tás com TPM ou não, sim deves ter um problema qualquer porque não sei como possas ter menstruações : P… Mas depois continuei a ler e apercebi-me que sim, é díficil não chorar quando temos exemplos de vida como este quem diz este diz aquele do video que vimos no sarau do cn ou aquele que mostráste numa das nossas reuniões entre muitos outros que todos os dias passam na televisão mas que normalmente mudamos logo de canal para não nos emocionarmos. E realmente o problema não é teu, não, não estás com TPM, simplesmente há alturas da nossa vida, vá quase todos os dias, que tal como disseste nos parece que o mundo se desmoronou aos nossos pés e pensamos “porquê a mim?” ou “mas será que não tenho mesmo sorte?”, e nessas alturas quando paramos para pensar e olhar os outros à nossa volta, vemos que se calhar estamos a ser umas criancinhas mimadas de trombas quando perdem um brinquedo, e nos apercebemos o quão miseráveis somos por nos chatearmos por tudo e por nada em vez de sorrirmos por tudo de bom que temos. Choramos então pela revolta que sentimos dentro de nós por não sermos tão fortes como as “Isabeís” do mundo, e por pensarmos que se calhar desperdiçámos momentos da nossa vida que se não tivessemos de trombas podiamos ter aproveitado ao máximo.. E normalmente só depois de termos passado essa fase do choro desenfredao é que temos a coragem de esquecer as “merdinhas”.

    como a musica da Joana diz “talvez fará sentido, se lutarmos no amor e largarmos o rancor” e na verdade acho que esse deve ter sido o segredo da Isabel para enfrentar a vida e que nos custa tanto seguir!

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  • “Há que aprender a viver!” 🙂

    não tenho nada a acrescentar, é isso que tento fazer, poucas coisas merecem de facto que agente fique mal!

    grande post!

    digo o mesmo que a Sara.. “Conhece a Isabel e depois apresenta-ma por favor!” ou pelo menos depois partilha:)

    abraço

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  • Tinhas razão. Ainda bem que me despertaste a curiosidade. Valeu bem a pena. Ganhei o dia! Obrigado, amigo!

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  • Boa Noite João e todos Vós!
    Nem sei por onde começar, mas obrigada pelas vossas palavras. Terei muito gosto em vos conheçer e trocar convosco a maravilha que é sentir que não foi um “pesadelo” que me aconteçeu, mas uma mudança de vida. Lembro-me tão bem do dia em que soube que teria de ser amputada e do Pe. Daniel me ter dito; Isabel fecha um livro e abre-se outro, uma nova história terá para contar … e eu perguntei, como posso ajudar as pessoas que sempre ajudei? e o Padre Daniel disse: ” Isabel duma forma talvez mais forte e diferente…” e graças a Deus tenho tido essa alegria, já dei o meu testemunho a 2 pessoas e ajudei-as a ultrapassar a decisão de serem amputadas.Todos os dias nas minhas orações agradeço a Deus ter as orações do Pe. Daniel, dos meu Filhos,de todos os meus Queridos familiares dos meus amigos, dos meus meninos da catequese, enfim de tudo o que tem a mão de Deus.
    Uma Santa Noite.

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  • João,
    Quantos há que, mesmo com testemunhos vivos como a Isabel, continuam a queixar-se de pequenas coisas… pequenos pormenores da vida – que na sua maior parte são autênticos dons… mas as pessoas não são capazes de ver o seu verdadeiro sentido. Por isso, parabenizo-te por te teres emocionado, por teres reflectido, por teres assumido e partilhado!

    Um abraço

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  • Realmente esta história é um exemplo para todos nós.
    é perante estes exemplos de vida que podemos perceber a nossa pequenez e em contrapartida perceber a dimensão exagerada que tantas vezes damos a coisas minimas.
    Adorei esta história precisamente por isso, por nos fazer pensar, por reflectirmos sobre o nosso dia-a-dia e sobre o que somos.

    Quanto a emocionarmo-nos também faz parte dos seres humanos:)

    Continua a postar textos destes que fazem reflectir a ti, mas a nós também e mais que reflectir sao inspiradores:)

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