João Alves-Carita

2009 / 12 Dezembro

Exemplos


Estava ontem a ver um filme de “bolinha vermelha” na RTP1, o América Proibida... um filme perturbador e que me deixou a pensar…

Sem recorrer a quaisquer referências filosóficas ou psicológicas porque também não as tenho, baseio esta minha tese no conhecimento empírico, o factual, o terra-a-terra!

Todo o ser humano ao longo do seu desenvolvimento precisa de exemplos, de símbolos e ícones que o inspirem! O mais normal é os exemplos de cada um de nós serem os nossos pais, os 2 ou um deles, um irmão ou primo mais velho, um professor, enfim, alguém com provas dadas (a nosso ver) numa certa matéria… é esse o nosso exemplo, o nosso “role model” e o qual ambicionamos a chegar um dia “quando formos grandes”… Quem não se lembra de um dia se ter vestido de igual forma com o pai ou com a mãe…

Não querendo basear este texto muito no “EU” como João Carita, mas baseando num EU que possa ser apreendido por todos os que lêem este meu cantinho à sobra do Chaparro…

No meu caso sou o irmão mais velho, tenho papéis de algo a que se pode chamar liderança, como quando dou aulas de viola, quando dou catequese ou quando sou o animador de outros jovens… só o facto de ter uma posição diferente dos demais me coloca num papel de risco elevado que eu só compreendi ontem…

Indirectamente aqueles que nos rodeiam vão assemelhando algumas das nossas características, atitudes, gestos, pensamentos e ideologias! E com essa vontade cega de um dia chegarmos aos calcanhares desse nosso exemplo faz com que qualquer coisa que essa pessoa diga ou faça se torne como uma premissa do nosso comportamento!

Eu posso em conversa com amigos lançar uma piada ou um comentário irónico, que em nada reflicta o meu pensamento, mas se tiver alguém presente que me ache um exemplo a seguir, essa pessoa vai assumir as minhas palavras ou gestos como um dado adquirido e que perante aquela situação eu reagiria assim, então essa pessoa vai também reagir!

Voltando ao filme, o irmão mais velho depois da morte do pai, por parte de uma minoria étnica nos EUA, revê-se nos ideais nazis porque tudo o que aconteceu a seguir a essa infelicidade foi consequência ou por culpa dessas minorias étnicas…

Sem contar todo o enredo porque o filme é de facto muito bom, a verdade é que o irmão mais novo do protagonista assume e absorve como uma esponja todas as ideias do irmão porque via nele um modelo, um exemplo…

Estas dúvidas e questões podem parecer demasiado absurdas mas a verdade é que eu vou percebendo que dadas as minhas funções posso ter gente que me ache como um modelo, como o patamar a alcançar… e isso preocupa-me saber que imagem deixo, que imagem transmito e que exemplo quero eu ser ou sou para os outros…

E tu? Que exemplo és?

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