João Alves-Carita

2012 / 3 Setembro

Emigrar para a Suíça


Devido a alguns pedidos de como é emigrar para a Suíça, o que se deve ter em conta, principais diferenças, se compensa e se é fácil encontrar trabalho, partilho um pouco da minha experiência e que, espero, possa servir para esclarecer algumas dúvidas.
O caso da Suíça é muito ‘particular’. Comecemos por analisar o país: quatro línguas oficiais (alemão, francês, italiano e o romanche), 26 cantões (que funcionam de forma independente, como estados dentro do próprio estado helvético) e nenhuma identidade comum étnica ou linguística. O que une os suíços é o seu nacionalismo (exacerbado) e os valores com que regem a sua vida.
Das línguas, quase dois terços do território fala alemão (63,7%), seguido da língua francesa (falada em apenas 20,4% do território). O italiano é falado nas zonas que fazem fronteira com a Itália e o romanche apenas num cantão (sendo equivalente a 0,5% do território). Por isso a decisão de emigrar para a Suíça deve ser ponderada e preparada com antecedência. O domínio (no mínimo de base) de uma das duas línguas dominantes é fundamental. O ideal é dominar fluentemente uma e ter conhecimentos de base da outra.
Depois, a política suíça é outra coisa de diferente. Há três níveis políticos: o sistema Federal (que administra o país), o cantonal (que gere cada cantão) e o comunal (que gere cada comuna). Para melhor compreensão é parecido com a gestão americana do Estado/Nação e os governadores de cada estado. Depois as comunas são as nossas juntas de freguesia, para uma administração local.
Outra coisa, também importante, é que embora esteja no centro da Europa e com diversos organismos e federações cá sediados, a Suíça não faz parte da União Europeia. Mantém a sua neutralidade mesmo aqui. Tem uma moeda própria (o franco suíço), hoje com a taxa de câmbio de 1€ = 1,20CHF. Embora tenha assinado o acordo de Schengen, permitindo a livre circulação de pessoas e de bens, a confederação decidiu suspender o acordo unilateralmente para com os países de leste da europa. Tudo graças a uma taxa de imigração cada vez maior, com uma taxa de criminalidade a aumentar, os suíços votaram (num dos muitos referendos que acontecem) o encerramento das fronteiras a pessoas do leste da europa que não tenham já um contrato de trabalho. No nosso caso, ainda é possível entrar livremente na Suíça por um período máximo de três meses (como se de férias se tratasse), findo o qual a polícia nos escolta até ao outro lado da fronteira.
Falemos então agora dos vistos de residência, ou ‘permis de sejour’. Os mais comuns são os vistos B (obtidos através de um contrato de trabalho por tempo indeterminado, válido por 5 anos), C (obtido após finalização dos 5 anos do permis B, pode ser ‘trocado’ pela dupla nacionalidade), L (obtido através de um contrato de trabalho por tempo determinado, válido entre 3 meses a um ano, terminado esse período deve ser renovado para um B ou expulso do território) e o G (chamado o ‘permis frontalier’, que como o próprio nome indica é entregue aos habitantes dos países vizinhos para poderem entrar no país para trabalhar).
Em geral, só com um permis B ou C é possível viver na Suíça. Com ele podemos candidatar-nos para alugar uma casa, fazer um contrato com uma operadora de telefone, internet e televisão, fazer um seguro de saúde (obrigatório), entre muitas outras coisas.
Em termos de custo de vida, os dois primeiros meses serão de difícil adaptação, porque temos por hábito pensar em euros tudo o que vamos pagar. Deixamos de beber um café porque nos pedem à volta de 4 francos (pouco mais de 3 euros), o preço da carne está à 100g e não ao quilo. Mas depois esquecemo-nos que o custo de vida está equilibrado para o nível de vida que se tem (talvez até mais do que em Portugal, se pensarmos em percentagem). Só um exemplo, um café em Lisboa pode custar 0,60€ para um ordenado mínimo de 475€, ou seja, cada café é 0,12% de um ordenado mínimo. Já na Suíça, um café pode custar 3,80CHF para um ordenado limpo (não há ordenado mínimo) de 4.000CHF. Equivalente a 0,09% de cada ordenado.
Geralmente cerca de um terço do ordenado limpo de impostos vai para os gastos fixos (aluguer da casa, pagamentos dos contratos de comunicação, energia e seguros). Outro terço para despesas de alimentação e despesas variáveis (imprevistos ou ‘extravagâncias’) e ainda sobra um outro terço. Acima de tudo compensa!
Em termos de trabalho, devido a serem ULTRA-nacionalistas, qualquer pessoa parte em desvantagem contra um Suíço. Excepto nos sectores onde eles têm necessidade, não têm formação ou não querem desempenhar. Na saúde há necessidade e não há formação e os trabalhos manuais, de construção e afins não é trabalho para o ‘suíço’. Só os melhores dos melhores são aceites nos postos de chefia ou com formação superior. Trabalhos não qualificados para os suíços são ligados à informática, às comunicações, às artes/design e afins.
Como conselho, para todos os que não sejam do domínio da saúde (médicos e enfermeiros) a melhor solução é encontrar um trabalho que garanta um permis B, para enquanto isso melhorar o domínio da língua, conhecer o país e como ele funciona até se sentir à vontade para procurar algo na sua própria área.
Para procurar trabalho, sugiro pesquisas online antes de uma partida às cegas. Os sites mais utilizados por cá são o jobs.ch, jobup.ch e o jobscout24.ch. Enviem o dossier (CV+certificados+recomendações e afins) por correio. Só alguns, poucos, casos aceitam candidaturas por e-mail.
Para dúvidas mais específicas, deixem comentário que tratarei de responder (dentro do que saiba).
  • Grande Carita, sabes q eu nao podia deixar de comentar o teu blog=))

    Antes de mais, obrigado por nos presenteares com este belo resumo de como melhorar-mos a nossa qualidade de vida.

    Sem duvida que a suiça tem aquela qualidade de vida(segurança; dinheiro; justiça; educação; saude; politica) que em muito poucos paises encontrarias, é incrivel uma pessoa ver In Loco como tudo funciona numa (quase) perfeição que por vezes irrita.

    O menu do macdonalds vale 11euros, mas nao chega ao dobro do menu em portugal, enquanto que o ordenado é…7 vezes maior!!
    O gasoleo na suiça(q eu achava cáro) está ao mesmo preço que em Portugal(1.55) e os ordenados….pois:PP.

    Claro q com estes ratio’s a qualidade de vida terá de subir e isso é o que se quer para o presente e futuro.

    Ja je falas em “duvidas mais especificas”, depois diz-me como está o mercado de trabalho na área das engenharias/construção civil e da cartografia(fazer mapas).

    Abracos,

    Filipe

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  • Ja percebi que vives e penso eu que”trabalhas” em Geneve,mas eu que devo estar aqui a menos tempo que voce mas discordo em varias publicacoes tuas em relacao aos emigrantes,que noutros estou completamente de acordo,mas comeca a aprender mais um pouco das leis que e por causa de muitos emigrantes como tu que existe uma pessimo conhecimento das leis da suica por isso quem ler este texto a melhor forma de saber correctamente e de se deslocar aos locais adequados e se informar correctamente!!!!!!

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