João Alves-Carita

2012 / 5 Março

As ‘cores’


J. tinha acabado de se juntar àquele grupo… tinha tudo para ser mais um grupo como os outros que ele já tinha, onde os seus membros partilhavam um gosto em comum: Todas as semanas se encontravam, de forma religiosa, para cimentar ainda mais os laços que os unia… sempre com o ideal comum no pensamento!
Os primeiros tempos foram duros… os ‘caloiros’ sofrem sempre as formas de iniciação ao novo grupo, ou “uma família”, diziam eles… Mas quantas vezes não tinha já ele ouvido essa expressão? Começou a gostar das suas cores, começou a seguir a equipa para todo o lado… Foram a Braga, passaram por Coimbra, até passaram o Rio Tejo para terrenos ainda inóspitos para as suas cores…
Começou a levar as cores consigo… não tinha ainda um cartão que o identificasse como membro mas ele sentia-se um membro de plenos direitos! Só era preciso viver, sentir as cores, transportá-las no sangue… defendê-las ao mínimo sinal de ‘confronto’! Aprendeu a amar o ideal, aprendeu a confiar naqueles que também comungavam das mesmas cores… eram de grupos diferentes, mas essa diversidade também o fascinava… Aprendeu que não era o primeiro a sentir aquele ardor no coração, a sentir a garganta rouca e a voz frouxa no final de cada viagem, fim-de-semana ou encontro… queria cantar sempre mais alto para que mais pudessem ouvir o que ele sente, para mostrar aos adeptos das outras cores que o que ele sentia pelas dele era algo muito intenso!
Começou a tomar alguns dos mais velhos como exemplos… queria ser como eles… via que aquele grupo era de facto uma família… que não se cingia às quatro paredes do sítio onde ele se costumava encontrar com o seu grupo… aliás, mais grupos também existiam na sua região… de tempos a tempos lá se encontravam, trazendo as cores no peito, as vozes afinadas e as mãos prontas para baterem palmas….
Esta conjugação culminava numa música… uma música que ele não podia ainda cantar… só podia bater palmas… só os verdadeiros membros o poderiam fazer… e nada mais lhe disseram! Foi pior a emenda que o soneto! Ele não era um verdadeiro membro do grupo, daquela família… ainda não podia cantar com todos eles e torcer pelas suas cores! Mas o que precisava ele de fazer mais? Já tinha seguido com o grupo para todo o lado, já tinha arranjado chatices em casa pelos sucessivos encontros que faziam parte da tal integração… Não faltava a nada… sentia-se preparado, um membro… mas pelos vistos não chegava!
Até que chegou o convite! A final etapa da integração consistia num fim-de-semana longe de tudo e de todos! Nesse fim-de-semana far-se-ia o verdadeiro choque da realidade. Seria como um estágio com as suas cores, com outros como ele… tinha tudo para ser perfeito! Foi mais! Desde então as cores não são mais dele, são ELE! Faz hoje 6 anos desse esse estágio com as ‘cores’!
 
Este texto podia retratar a entrada numa qualquer claque de Futebol… mas retrata a minha chegada ao Movimento Shalom e pretende assinalar o 6.º Aniversário do meu Encontro Inicial! Obrigado a todos aqueles que fizeram parte desta minha caminhada e que constantemente me lembram o ideal e o sonho que partilhamos!

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