João Alves-Carita

2013 / 15 Novembro

A regra dos terços


A famosa regra dos terços é um dos assuntos mais discutidos em fotografia. O ‘princípio’ básico de quem se quer aventurar nestas andanças e um dos principais erros cometidos.

Divida, de forma imaginária, a imagem observada no visor em três terços horizontais e três terços verticais, traçando duas linhas horizontais e duas verticais (imagem à esquerda). Os 4 pontos de intercepção, I1, I2, I3 e I4, chamados pontos de interesse, são os pontos de maior impacte visual. Ao fotografar, coloque o tema e outros motivos de interesse nos pontos de intercepção das linhas ou segundo as mesmas.

As linhas horizontais podem ser usadas para colocar, por exemplo, a linha do horizonte ou outras linhas fortes. Esta deve ficar para baixo ou para cima da linha média consoante se pretenda realçar o céu ou não. As linhas verticais podem de igual forma ser usadas para colocar árvores ou edifícios. Deve colocar a linha do horizonte a meio do visor quando o céu for tão importante como a parte inferior.

Quando o tema principal está em movimento este deve deslocar-se no sentido dos 2/3, caso contrário daria a sensação de estar prestes a chocar contra o lado vertical da fotografia. Da mesma forma quando uma pessoa olha para o lado deverá fazê-lo também no sentido dos 2/3 para não transmitir a sensação de claustrofobia.

Por outro lado, como lemos da esquerda para a direita, observamos as fotografias da mesma maneira. Seguindo esta tendência podemos colocar o tema principal do lado esquerdo.

 

A regra dos terços está bem evidente nesta fotografia à direita.

Esta fotografia constitui um exemplo clássico da regra dos terços. William Frost, que fez campanha para a protecção das árvores e dos parques, aparece a 1/3 vertical, enquanto o seu cão, tal como o horizonte, estão colocados a 1/3 horizontal. A fotografia valeu a John Tarrant um prémio Kodak Press Photography Awards.

A regra dos terços não serve para todas as situações. É muito útil para paisagens e composições em que o assunto principal não deve ficar muito centrado.

1. Simetria

Numa imagem simétrica em relação a um ponto, recta ou plano, resulta bem colocar o elemento de simetria no centro do visor. São exemplos a fotografia da Torre Eiffel, ou um retrato de documento.

2. Simplicidade

As fotografias simples são as melhores. Uma fotografia deve conter apenas o essencial para realçar o tema escolhido. Uma fotografia com demasiados elementos torna-se confusa, distraindo o observador do tema principal. Por outro lado uma composição simples permite que o observador apreenda o tema rapidamente e sem esforço.

A composição deve conter apenas um ou dois motivos de interesse.

3. Linhas

Tire partido do efeito das linhas quando fazem parte do motivo. Uma linha horizontal transmite a sensação de serenidade. Uma linha diagonal sugere dinamismo e movimento. Objectos alinhados segundo uma linha diagonal criam a ilusão de profundidade. Algumas linhas com declive, como caminhos ou sombras, podem dirigir o olhar do observador para o tema principal. As linhas convergentes são mais interessantes do que as paralelas pois sugerem mais energia. As linhas curvas têm mais vida dos que as rectas. Uma das mais comuns e atractivas linhas usadas na composição é a chamada curva em S.

4. Figuras geométricas

Na cena a fotografar observe as linhas que delimitam as áreas mais iluminadas. Normalmente as figuras que tornam as fotografias mais interessantes são triângulos ou círculos ou combinações de ambos.

5. Texturas

Um dos significados de “textura” é a “disposição das partes de um todo”. Pode encontrar-se texturas, por exemplo, nos materiais, como sejam madeira, metais ou rochas, em construções, tal como a superfície de um telhado, ou na natureza, como um tapete de relva ou ervas. Aproveite a textura para transmitir as características da superfície do tema a fotografar.

Normalmente, uma iluminação dura e oblíqua, como a da manhã ou da tardinha, é a mais adequada para realçar as texturas.

6. Padrões

Um padrão é a distribuição ordenada, ou não, de figuras idênticas. Fazer um close-up de uma pequena parte de um padrão provoca frequentemente um maior impacto.

7. Enquadramento integrado

O enquadramento integrado consiste numa moldura, situada no primeiro plano, constituída por árvores, vegetação, ou elementos arquitectónicos que enquadra o tema num plano posterior.

8. Ponto de vista

O ponto de vista é o ponto onde se situa a máquina fotográfica quando se tira a fotografia.

Antes de disparar deve-se analisar a imagem a partir de vários ângulos e alturas de observação. Rode em volta do tema, se puder 360 º, até conseguir a composição desejada. Colocando a máquina acima ou abaixo da altura habitual de observação podem conseguir-se fotografias criativas.

9. Regras?

As regras aqui apresentadas não devem ser vistas como “uma camisa-de-forças”. Em arte, as regras existem para serem desrespeitadas. Se gosta de uma cena, fotografe-a, seja o que for que as regras digam sobre o assunto. No entanto é bom conhecê-las e ao “transgredir”, faça-o conscientemente por entender que a “sua regra” é a melhor.

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