João Alves-Carita

2012 / 7 Setembro

A primavera cinzenta


Não tenho por hábito fazer grandes comentários políticos, mas não consigo deixar passar esta oportunidade em claro.
O primeiro-ministro Passos Coelho comunicou ao país novas medidas de austeridade e mais impostos sobre quem trabalha. Tudo para potenciar a economia…
Por cá, a crise também se sente, mas a mentalidade suíça passa por dotar as pessoas de poder de compra. O dinheiro é para se gastar, como já ouvi dizer. Aqui o dinheiro que um trabalhador recebe ao final do mês está já previsto que seja gasto em futuras compras, subscrição de serviços… pondo o dinheiro a girar a economia cresce, o IVA mantém-se a 8% e toda a gente tem o dinheiro (pelo menos) suficiente.
Não será a cortar no bolso e no poder de compra das pessoas que a economia cresce… pelo contrário, deixa-se de ir ao cinema, de ir beber um copo e de fazer gastos ‘extra’… O pouco dinheiro que sobra é para guardar para uma emergência… Não prestei muita atenção às minhas aulas de economia, mas parece-me que é assim que costuma acontecer…
Depois temos a revolução no facebook. Onde todos falam, todos reclamam e todos vão emigrar… Marcam-se eleições e estes geralmente estão na praia porque está bom tempo, ou ficam em casa porque está de chuva, ou não votam porque “os políticos são todos iguais”… Também os homens, segundo algumas mulheres e não é por isso que deixam de ‘arriscar’. E se em vez de se votar nos 5 partidos da vida airada se votasse num outro, num ‘under-dog’, num movimento de cidadania?… Uma mudança brutal e radical no ‘regime’ instalado podia ser um grande alerta…
Destes que fazem a revolução virtual (será que esperam uma primavera árabe no facebook?) e que prometem que vão emigrar depois não o fazem… ora porque não há nada na sua área, porque a língua é diferente ou talvez porque em Portugal sempre têm o pai e a mãe e podem continuar a viver debaixo do mesmo tecto… Talvez aos 50 tenham uma vida própria…
Se um dia trabalhassem ou reclamassem na realidade como o fazem no facebook este país que é Portugal dava uma volta como do dia para a noite…
Como os Da Weasel cantavam em ‘Toda A Gente’: A revolução não vai ser transmitida na televisão… hoje nem na internet!Tenho dito!

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