João Alves-Carita

2013 / 25 Agosto

“A melhor máquina é a que tens contigo”


Já muita gente me pediu ajuda no que diz respeito à compra de uma máquina fotográfica e desta vez achei que o melhor era escrever.

Na escolha de uma máquina fotográfica o importante é saber qual o uso que lhe vamos dar e definir qual o nosso perfil de fotógrafo: amador/fotografias espontâneas; curioso/saber mais sobre fotografia e experimentar modos manuais; utilizador avançado/já domina os modos manuais e faz algum dinheiro com a fotografia; profissional/vive da fotografia.

A grande maioria dos casos situa-se em fotógrafos amadores e alguns curiosos (nestes o passo natural é tornarem-se utilizadores avançados) o que significa que a fotografia não precisa de ser um hobby assim tão caro. O que hoje em dia acontece é um desperdício de dinheiro brutal na altura de comprar uma máquina, muito graças à facilidade com que hoje em dia se compra material profissional, estando já acessível para todos.

Que máquina escolher então?

Ao contrário daquilo que a publicidade nos quer fazer crer o número de ‘megapixels’ de uma câmara não tem nada a ver com a sua qualidade. Uma máquina com 18MP não quer dizer que seja melhor que uma de 10 ou 12MP. A máquina não faz o fotógrafo.

Temos no mercado 3 tipos de máquinas (que se desdobram em 4 no final), uma para cada tipo de utilizador.

As Compactas são aquelas que se adequam à maioria dos casos. Têm como vantagem o facto de serem relativamente baratas (até 200€ já se tem uma máquina muito boa), de serem leves e caberem em qualquer bolso de casaco ou terem pequenas bolsas de transporte bem como permitem fazer todo o tipo de fotografia. Se o objectivo da compra de um aparelho é registar momentos para mais tarde recordar, espontâneos ou fazer point&shoot (apontar e disparar) esta é a máquina ideal. Se a ideia ao tirar fotografias é escolher o motivo a fotografar, ligar e colocar a máquina em posição e por fim disparar esta é a máquina. Todas as outras serão um desperdício de dinheiro!

As Bridge que se destinam a um público-alvo muito específico: àquele utilizador que não quer apenas fazer point&shoot, quer quer perceber o que está a fazer, que quer ser ele a poder mexer nas definições e fazer um pouco de fotografia manual, com calibragem de brancos, do ISO, da abertura do diafragama, da velocidade do obturador. Este utilizador é curioso, quer aprender, estuda um pouco mais sobre o efeito da luz, como surgiu o fenómeno da fotografia e dedica algum tempo a este hobby. Esta máquina é ideal para aqueles que nunca fizeram fotografia manual, para se começarem a aventurar na fotografia “mais a sério” e sem terem de fazer um investimento avultado. São de lente fixa, mas têm como vantagem o seu zoom. A minha primeira máquina fotográfica foi uma Bridge que tinha uma objectiva equivalente a uma 35-420mm (e no mercado em objectivas não encontramos nenhuma tão abrangente! E se existisse custava os olhos da cara). O preço de uma bridge anda a rondar os 500/600€ e o importante é ver se a lente tem dois anéis: o do foco e o do zoom. Tendo esses dois anéis já se pode fotografar em modo manual, focar o objecto que se quer, desfocando o resto, e o zoom não é digital como nas compactas, logo é mais aproximado da realidade nem a fotografia apanhará tanto grão. Com uma bridge o investimento é inicial e já se tem um ‘cheirinho’ do que é fotografia manual e também já se tem uma máquina que impõe algum respeito, sendo o passo natural a migração para uma DSLR ao fim de explorada toda a capacidade da bridge.

E por fim, as DSLR, que são os verdadeiros aviões na fotografia, até há bem pouco tempo apenas acessíveis a profissionais, hoje em dia qualquer pessoa pode ter uma DSLR, o que é errado. Nunca se deve começar por uma DSLR pelo simples facto de que requer um investimento constante e variado. As DSLR são máquinas que permitem a mudança de lentes/objectivas. O problema é que não existe no mercado uma lente tão multifacetada com as das bridges o que faz com que a maioria das pessoas com DSLR sintam que não progridem na fotografia, porque acabam por ter uma lente limitada em termos de zoom (geralmente em kit vem uma 18-55) o que apenas permite fazer grandes planos, não há pormenores e para se fazer retratos devemos estar quase em cima das pessoas. Para ter um material diversificado de gama baixa/inicial convém ter à volta de 3.000€ para investir. Para além de que grande parte dos utilizadores das DSLR fotografa no modo automático, apenas brincando com o anel do zoom transformando assim uma máquina que pode ter custado à volta de 1.000€ numa ‘compacta’. Sendo que há todo o peso e incómodo de carregar uma DSLR atrás.

 

Nas DSLR temos depois dois conjuntos distintos: as DSLR com sensor APS-C e as DSLR FullFrame. A diferença aqui está no preço (c. 1.000€ contra c. 3.000€) e na capacidade do sensor. O sensor APS-C tem menos campo de ‘visão’ que uma FullFrame, como podem ver na imagem à direita.

Em fotógrafos que fazem da fotografia a sua vida e principal actividade a escolha é óbvia: investimento agora para recuperar mais logo. Mas para os utilizadores avançados, que já exploraram as Bridge e querem passar para uma máquina de lentes mutáveis uma máquina de sensor APS-C é o suficiente.

Resumindo, ao escolher uma máquina para começar a fazer fotografia tenha em conta o nosso perfil de utilizador, quanto queremos investir (quer em dinheiro quer em tempo para prática e formação), que ao comprar uma máquina devemos sair com ela à rua, transportá-la e carregá-la e não nos deixemos ludibriar pelos MegaPixels que a máquina tem ou por outras funções que podemos nunca vir a utilizar (fotografar debaixo de água, por exemplo). Acima de tudo não nos podemos esquecer que “a melhor máquina é a que trazes contigo“.

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