João Alves-Carita

2011 / 23 Abril

A Cruz


Estava às escuras… numa igreja pequena e modesta, mas cheia… cheia de pessoas e de esperança… No final de recordarmos as últimas horas da vida de Cristo, chegou o momento: a cruz fora colocada no chão para que cada um se possa deslocar a essa mesma cruz e adorá-la.

Dei por mim a pensar: ‘O que leva velhos e novos, doentes e sãos a deslocarem-se, fazerem o esforço de se ajoelharem para adorar um símbolo que lembra sofrimento?’. E acabei a recordar as minhas sextas-feiras na colina, onde o processo de adoração da cruz tem uma força infinita!

Um caminho que tem pouco mais de 50 metros é percorrido devagar, de joelhos ou a caminhar… é um caminho penoso onde cada um de nós faz o levantamento da sua vida, dos seus males… onde cada um carrega a sua cruz… Fiz a minha última adoração da cruz de joelhos… cada momento me doeu e as marcas ficaram cravadas na pele… não sei quanto tempo durou… mas de repente estava perto da cruz…

Junto a ela podemos pedir, rezar… mas não precisamos… Deus já conhece as nossas necessidades antes delas se despertarem aos nossos sentidos… é-nos pedido que toquemos na cruz, que encostemos a nossa testa… desta forma poderemos partilhar as nossas preocupações, as nossas perdas, o nosso sofrimento com Ele…

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