João Alves-Carita

2012 / 21 Junho

A beleza do amor de Deus


Leitura:
Jesus encontrava-se em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, chegou uma certa mulher que trazia um frasco de alabastro, com perfume de nardo puro de alto preço; partindo o frasco, derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
Alguns, indignados, disseram entre si: «Para quê este desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar-se o dinheiro aos pobres.» E censuravam-na. Mas Jesus disse:
«Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em mim uma boa acção! Sempre tereis pobres entre vós e podereis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim, nem sempre me tereis. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há-de contar-se também, em sua memória, o que ela fez.» 

(Mc 14, 3-9) 

Cântico para meditação:

(Adoramus te Christe, benedicimus tibi,
quia per crucem tuam redemisti mundum.)


Interpelação:

Era uma vez, um homem muito rico que dirigiu-se à sua igreja e depositou 10% da sua fortuna na caixa das esmolas. Era para os pobres, disse ele. No mesmo instante, uma idosa dirigia-se também ela para a caixa das esmolas. Deixou uma moeda, pequenina. Quem deu mais o rico que doou 10% da fortuna ou a idosa que tinha deixado uma pequena moeda?
À primeira vista todos diriam que o rico tinha dado mais. E de facto deu mais (em quantidade). O homem deu 10x mais o que a pobre idosa tinha doado aos pobres. Mas no fundo fora ela quem tinha dado mais. Não se trata de avaliar a quantidade, mas sim a qualidade da doação. O homem rico ao doar 10% da sua fortuna ficava ainda com 90% para si, era só um bocado menos rico. Já a idosa, ao ter dado aquela pequena moeda tinha ficado sem dinheiro, uma vez que ela representava metade da sua reforma.Os que estavam presentes na casa de Simão, o leproso, revoltaram-se com a mulher que tinha derramado o frasco de perfume na cabeça de Jesus. Um frasco tão valioso monetariamente, já que esses trezentos denários era aproximadamente o equivalente ao salário anual da época. Julgando que estariam a fazer o correcto, depressa criticaram a mulher, que poderia ter doado esse dinheiro aos pobres.
Jesus tem mais uma atitude de compaixão, explicando que a mulher procedera bem. Porque pobres haverá sempre na sociedade, a presença d’Ele é que não seria para sempre, devendo por isso valorizá-la.
Analisemos então esta expressão. Quem são os pobres de hoje? Jesus referia-se literalmente aos desempregados ou aos que não têm dinheiro? Ou mais pobres hoje são os que não têm valores, que não protegem o seu corpo, a natureza? Será a conta bancária importante para avaliar a ‘riqueza’ de uma pessoa? Ou o coração é o banco mais puro e fidedigno?
Nas anteriores orações vimos que Jesus se encontra no nosso próximo, em nós mesmos. Imaginemos que receberíamos a visita de alguém muito especial e importante para nós. Não iríamos tratar da casa? Não iríamos dar-lhe uma mesa vasta? Não o saciaríamos e acariciaríamos? Então porque não fazemos também isso connosco para receber Jesus? Porque não nos confessamos regularmente, porque não nos preocupamos o arrependimento dos nossos actos e o perdão para os actos dos outros? Porque tratamos o nosso corpo não como um templo mas como uma lixeira? Porque não acariciamos o nosso espírito e alimentamos a nossa fé com a participação plena na Eucaristia dominical?  

Compromisso:
Que tal aproveitarmos esta semana para nos confessarmos? Para realizarmos o verdadeiro Sacramento é necessário um período de reflexão. Os nossos pecados e arrependimentos não são como um cromo que se trocava com o colega do lado. Na vida adulta de cristão o arrependimento e o perdão deve fazer parte do nosso dia-a-dia, da nossa oração diária.
Não nos preocupemos em dar muito em quantidade, mas que cada vez que dermos seja dado com o coração. A doação não precisa de ser em dinheiro, o que Deus mais nos pede é que coloquemos os nossos dons ao serviço dos outros… isso e que saiamos pelo mundo anunciando o Evangelho e baptizando os povos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Evangelizemos pois então!

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