João Alves-Carita

2009 / 20 Julho

2ºs Jogos da Lusofonia – Lisboa 2009


Na ressaca do meu primeiro grande programa de voluntariado, os 2ºs Jogos da Lusofonia, tinha de deixar aqui o meu testemunho e o balanço destes jogos, porque por causa deles eu deixei de escrever aqui tanto quanto queria (tenho textos preparados e irei publicar dentro em breve).

Afinal o que é isso dos Jogos da Lusofonia? Um evento que passou ao lado de tanta gente, da comunicação social e dos próprios representantes portugueses… e por ter ficado fora da agenda mediática é como se não tivesse existido…

Fora a fraca adesão do povo português devo realçar aquelas que foram para mim as surpresas destes Jogos: pela negativa Portugal e Brasil, salvo raras excepções “passearam-se” na competição como senhores e de nariz empinado por terem atletas medalhados olímpicos não precisavam de se esforçar nesta competição a feijões, depois o facto de não se terem apresentado na sua máxima força tirou o pouco prestígio que a prova já teria… e pela positiva as restantes comitivas, desde as africanas que vieram com delegações (relativamente) pequenas e que foram apoiadas pelos seus emigrantes (fiquei fã do pessoal de São Tomé e Príncipe e desde ontem dos de Cabo-Verde e Angola), uma palavra de apreço aos poucos atletas da Guiné-Equatorial que apesar de não serem um país lusófono vieram fazer a sua festa e trazer um pouco mais de cor ao imenso contingente africano, a Macau que trouxe uma grande comitiva e um batalhão de jornalistas da Televisão de Macau, um grande abraço ao repórter Vítor Rebelo pelas dicas e pelas histórias fantásticas sobre aquele cantinho que é Macau num país comunista como a China. À comitiva da Índia, pois o seu grito de apoio ainda hoje ecoa nos meus ouvidos e pela tentativa (vã) de falar português, ao Sri Lanka que apesar de pouquinhos deram boa resposta às restantes selecções e trouxeram dos jornalistas mais chatos que conheci.

Deixando os grupos grandes passo para as pessoas, ao Adérito da equipa de Futsal de São Tomé e Príncipe pelo convite de visitar as duas ilhas deste país e o alojamento gratuito em sua casa (fica prometido que assim que puder e tiver t€mpo eu vou!), ao Luciano, do Comité Olímpico do Brasil, pelas vezes em que me chateou com os problemas informáticos e pela prenda que ainda virá pelo correio, ao pessoal da Federação Portuguesa de Futebol, o Tiago, o Alexandre, o Ratinho, a Susana, a Selma, pela paciência em me aturarem quase todos os dias e pelo convite para trabalhar com eles (sempre que for preciso apitem que eu ajudo), ao Manuel e ao Gonçalo que sempre me chatearam a pedir resultados e a arranjar mais trabalho para eu fazer, às senhoras do refeitório, pelo convívio e boa disposição com que me presenteavam todos os dias, ao pessoal da Cunha Vaz & Associados, Malha e Margaridas que sempre estiveram presentes e deu para conversar nos momentos mais mortos (espera lá, ouve momentos mortos?), ao Fernando Mateus, o jornalista angolano que não usava o Office e para escrever notícias usava o corpo de texto do e-mail, ao Fernando do Couto do Jornal O Jogo que para evitar trabalhar metia-se na conversa comigo e andava a ver se engatava umas voluntárias, ao pessoal da Antena 1, em especial ao Fernando Eurico (fantástico conhecer este Senhor!), ao Mike e ao senhor angolano da RDP África que sempre tinha um sorriso na cara, ao pessoal da RTP, que são impecáveis e sempre dava para desanuviar com eles do stress de tudo o que a minha função acarretava, à Filipa que apesar do seu bom-humor matinal sempre estava disposta para ajudar e para colaborar, à Isabel que foi a minha companhia destes Jogos (um prazer conhecê-la ó morcona), ao Luís Pinto Enes, que apesar de tudo foi a base sólida para que tudo corresse bem e uma personagem que também não vou esquecer, ao pessoal dos MEF, os “mefiosos” pelas fantásticas fotos que ilustram o site e gravam para a eternidade estes Jogos (depois quero os DVDs com as fotos todas), a todos os voluntários com quem me dei e estavam sempre a postos para a brincadeira, os Zés, o Nuno, a Salomé, a Maria, o Brazuca, e a muitos outros que me devo estar a esquecer de certeza, mas eles sabem que foram importantes. A todos o meu muito obrigado!

Depois deste testamento todo, o balanço que faço destes jogos é o seguinte, em 10 dias de competição o meu saldo final é este: 130h de trabalho, 30 de viagens e 80 de sono! Nada mau, hein?

Ah e já me esquecia: também houve 4 casos de Gripe A e um de Malária, mas o que importa aqui
são os jogos e o espírito…

Para terminar quero realçar o espírito que se viveu e que ontem me deixou com a lágrima ao canto do olho, por saudade ou por me sentir completamente arrepiado e pequenino. Estava num pavilhão de Almada completamente lotado e era a final de Basquetebol Masculino, frente a frente estavam Angola e Cabo Verde. No final Angola acaba por ganhar por uma grande diferença (106-64) e seria de esperar que houvesse confusão ou algum tipo de confronto entre as duas “claques”, ou que Cabo Verde abandonasse o pavilhão após o final do jogo. Pelo menos é essa a realidade a que estamos habituados em Portugal, ou se abandona no final do jogo e critica-se o árbitro, o treinador, os jogadores, toda a gente pela derrota, ou sai-se ainda antes do final porque já não se acredita ser possível dar a volta por cima… mas aqui não… foi exactamente o contrário, acabou o jogo e o povo de Cabo-Verde começa a dar uso aos tambores, rufos, buzinas, entre outros objectos que façam barulho, soltam as gargantas e começavam a cantar, ora em Português, ora em Criolo e fizeram a festa. Perderam, mas isso não importa, a festa era deles, os jogadores tinham dado o seu melhor e eles estavam ali para apoiar e não para criticar. Depois vem a vez dos Angolanos e cada um à vez, numa rivalidade e disputa saudável todos juntos faziam a festa.

Falta mais deste espírito em Portugal, antes de assobiar há que apoiar e levar aqueles que nos levaram a um estádio ou recinto para a frente. Se não der paciência, há que festejar pelo menos a nossa presença lá!

Por tudo isto, hoje sinto uma certa nostalgia e saudade de todos aqueles rostos com que cruzava diariamente e já tratava por tu, a quem dava abraços, com quem ria, pulava e dançava…

Os próximos? Só em 2013 em Goa. Adorava fazer parte da experiência outra vez… fiquei viciado! E sim, o espírito lusófono está em mim agora!

Prometo para breve fotos, vídeos e música destes Jogos da Lusofonia!

  • Epá até fiquei com a vista cansada de ler este testamento! :p

    Eu não estive lá a semana toda (porque não sabia de nada disto antes de tu falares e porque secalhar também não aguentava!), mas nas duas vezes em que a “Inês” lá esteve deu para perceber que se acaba por formar uma “família” ali no meio de toda aquela gente, mais que não seja por se terem de aturar o dia todo!

    E tal como tu, fiquei fã do povo de São Tomé e Princípe! Mas que presença! Qual claque de qualquer clube grade português qual quê! Aquilo sim é gente que acredita e apoia os seus atletas!

    Obrigadinha pela hipótese de ver um pouco destes jogos (e ter de explicar a uma data de gente o que era!)e por tudo o que veio de “resultado” disso! (e viva o David!:p)

    E cada vez mais percebo que realmente escolheste a profissão certa! 😉

    Beijinho

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  • Realmente é triste ver que estes Jogos passaram um pouco ao lado dos portugueses. (In)felizmente, devido a compromissos profissionais, só pude ver os dois últimos jogos de basquetebol masculino, ambos do meu país (Cabo Verde), a vitória nas meias-finais contra Portugal e a derrota na final contra Angola.

    Se fosse os jogos Ibéricos de sueca ou os Jogos Europeus de berlindes se calhar tinha mais audiência e público que estes Jogos da lusofonia. Não trabalhasse eu a recibos verdes, logo impedido de certas loucuras, teria, concerteza largado o trabalho para ir ver o maior número de provas possiveis.

    Tirando este à parte devo sublinhar o que o João disse acerca do desportivismo e o fair-play que vivi na final da partida de basquetebol masculino. Fiquei arrepiado com as provocações de ambas as claques, desafiando-se uma à outra com o máximo de barulho que conseguiam.

    Terminado o jogo ninguem saiu do pavilhão, os angolanos gritavam “Portugal, Portugal” Cabo Verde, Cabo Verde” e todos batiam palmas e gritavam para cada uma das equipas medalhadas, os atletas de Cabo Verde a dirigirem-se para a claque angolana para receberem abraços e incentivos.

    E a festa até mais de 1 hora depois do termino do jogo.

    Portugal e Brasil, pela potência que são a nível mundial deviam era ser mais humildes e menos arrogantes e participar e incentivar mais este tipo de encontros, participar para ganhar com a melhor equipa que tiverem, apoiando os paises mais pequenos (de tamanho e de andanças nessas competições internacionais) e promover a boa prática desportiva e apoiar o fair-play.

    A RTP era a televisão oficial, mas eu senti um desprezo pelos outros canais por estes jogos “sem interesse nacional”, ao passo que o assassinato de Nino Vieira teve direito a horas de emissão com direito a enviado especial, só para dar um exemplo.

    Parabéns João pelo trabalho que fizeste, a experiência que tiveste e a paciência para conseguir viver este evento até ao fim e aproveitar o máximo.

    PS: Desculpa se me alonguei.
    http://www.doduna.blogspot.com

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  • parabens pelo texto, ficou otimo
    agora espero as fotos do evento
    porque eu também não tenho quase nenhuma hehe
    abraços
    Henrique Serafim
    BRASILLLLLLLL hehe

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  • José Duarte / 21 Julho, 2009 AT 3:47 PM

    pois é
    agora todos temos o espirito lusofono e conseguimos novas amizades e como diz o lema “A união é mais forte do que a vitória” isso ficou provado nestes jogos
    acabam por ser uma lição de vida
    Parabens João

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  • Ola
    add:
    tiago_mgc@hotmail.com
    Fui voluntario!

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